
Aquele que seria hoje o maior tesouro etno-tecnológico de Telhadela e da região encontra-se em absoluta ruína; falamos do famoso lagar do azeite de Telhadela. Abandonado desde meados do séc. XX ao que nos disseram devido à progressiva escassez de azeitona. Esta desapareceu por completo das nossas oliveiras devido à abertura do complexo químico de Estarreja. Os ventos vindos de oeste traziam (trazem) substâncias químicas que “arejam” (expressão local) a flor da oliveira, com a queda desta o processo de desenvolvimento da azeitona não tem continuidade.
O lagar do azeite em Telhadela era composto por duas prensas de vara, era um dos raríssimos lagares do azeite compostos por um par de prensas de vara existentes no distrito de Aveiro.
Se não tivesse sucumbido à incúria dos homens; nos dias de hoje seria uma referência obrigatória no circuito do etno-turismo da região.
Os compêndios afirmam que quando há duplicação ou mais de um meio de produção em determinada região indica que existem grandes quantidades de um determinado produto e como tal é preciso dar escoamento à sua produção.
A sua construção não será anterior ao séc. XVII pois a produção de azeite neste século ainda era muito escassa e destinada essencialmente a iluminação, particularmente de carácter litúrgico.
As fotos possiveis do lagar do azeite em Telhadela - à esquerda um dos pesos e em segundo plano a extremidade da vara que foi cortada, na foto à direita as talhas embutidas onde se procedia à decantação do azeite (separar a água do azeite).
