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TELHADELA

Perspectivas e considerações

TELHADELA

Perspectivas e considerações

Classificação de interesse público da Ponte do Barro Negro e do Dólmen do Castro

Oficialmente formalizado na Direção Regional da Cultura do Centro o pedido de classificação patrimonial da Ponte do Barro Negro e do Dólmen do Castro. Duas estruturas, uma arquitetónica, outra arqueológica, que foram alvo de visita por parte dos técnicos da referida Direção. Posteriormente irão ser alvo de um estudo mais aprofundado. Chamamos a atenção para o segundo parágrafo. Quanto ao Lagar de Azeite, exemplar raríssimo em Portugal, também já seguiu um pedido de classificação no âmbito da arqueologia agro-industrial.

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Lagar do Azeite em Telhadela

Um património etnográfico a recuperar.

 

 

   Azeite, líquido outrora precioso, sim precioso; a ponto de nas centúrias passadas haver "obrigação de azeite", ou seja contribuir anualmente com determinada quantidade de azeite para alumiar o Santissímo Sacramento. Em oposição ao que muitas pessoas julgam, outrora a produção de azeite não tinha como obectivo primordial a alimentação, mas sim a iluminação, particularmente em espaços religiosos, daqui a "obrigação", literalmente um imposto, embora de carácter religioso.

   Oriunda do sul de Portugal, a oliveira só no séc. XVI terá chegado à região aveirense. A sua progressão para norte foi um processo lento mas gradual, primeiro foi aceite em redor dos “grandes” centros urbanos como foi o caso de Aveiro, localidade da qual existem documentos do séc. XVI a mencionar a presença de olivais junto da vila, pois ainda não era cidade.

   Nas décadas seguintes a oliveira foi “conquistando” os favores das gentes serranas, é natural que no ínicio do século XVII já existissem oliveiras em Telhadela.

   Aquele que seria hoje o maior tesouro etno-tecnológico de Telhadela e da região encontra-se em absoluta ruína. Falamos do famoso lagar do azeite de Telhadela, abandonado desde meados do séc. XX devido à progressiva escassez de azeitona. Esta terá desaparecido por completo das oliveiras desta região, segundo relatos orais, devido à abertura do complexo químico de Estarreja. Os ventos vindos de oeste traziam (trazem) substâncias químicas que “arejam” (expressão local) a flor da oliveira, e com a queda desta o processo de desenvolvimento da azeitona não tem continuidade.

   O lagar era composto por duas prensas de vara, uma mó (galga) para esmagar a azeitona, movida por força hidráulica, através de uma azenha cuja roda de pás estava colocada no exterior do lagar. A água para fazer mover a mó era captada no açude do Lagar do Azeite, construído exclusivamente para esta função, completando uma caldeira o conjunto. 

  Esta estrura era um dos poucos lagares do azeite existentes no distrito de Aveiro, constituído por um par de prensas de vara. Os compêndios afirmam que quando há duplicação de um, ou mais meios de produção em determinada região, indicia a existência de grandes quantidades de um determinado produto e a subsequente necessidade de escoamento da sua produção. 

   O edifício situa-se (ruínas) junto ao rio Pequeno, perto do caminho que vai para Vilarinho de São Luís (Palmaz), no local denominado Barro Negro.

   Se não tivesse sucumbido à incúria dos homens, e à força da natureza, este lagar seria nos dias de hoje uma referência obrigatória no circuito etno-turístico da região.

   Numa época em que a reabilitação dos moinhos é uma realidade a nível concelhio, deixo aqui o desafio de se criar um movimento de cidadania e associativismo no sentido de se proceder à recuperação de tão raro património etnográfico, o lagar de azeite.

 

                                                                                                                                                              

 

 

 

 

 

 

 

Bela iniciativa...

A associação "Donaldeia" sedeada em Telhadela, este ano enfeitou boa parte da aldeia com com trabalhos alusivos à quadra natalícia. Este belo quadro ainda ontem lá estava, mas hoje nem vê-lo, algo se passou...

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Eucalipto da Casa Grande

   2005, ano da morte do enorme eucalipto que existia junto à Casa Grande, bem perto do rio Caima. Um incêndio apressou o fim de vida de um dos maiores eucaliptos que existiu em Portugal. O seu interior continou a arder durante semanas, tal facto motivou a curiosidade de muitas pessoas o que levou ao seu derrube por questões de segurança.e.JPG

 

 

 

 

 

 

 

                                                                  Foto: Albergasbtt

ti Silvério

Triste notícia me chegou. Faleceu o Sr. Silvério, em Telhadela carinhosamente tratado por “ti Silvério da loja ou ti Silvério moleiro”. Quase um século de vida, sabedoria imensa, sempre disposto a transmiti-la para quem quisesse aprender. Com ele muito aprendi, particularmente na área ligada à moagem. O livro “Telhadela – Perspectiva Histórica e Etnográfica” seria certamente mais pobre sem o seu inestimável contributo para o mesmo. Belas conversas tive com ele sobre a Telhadela de outrora. À família, e de forma pública, aqui deixo os meus pêsames sobre o ocaso de um homem incontornável na história de Telhadela.

Foto: o “ti Silvério em Vilarinho a ensinar-nos como se picava uma mó andadeira, corria o ano de 2012.

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Mina da Fonte

Mina na Eira Velha, esta mina composta por dois túneis de captação de água, municiava um dos nove "casais" de rega comunitária que em tempos existiram em Telhadela, em concreto, o "Casal da Fonte". A sua duplicação tinha claramente como objectivo um maior caudal de água para encher a represa da Fonte.

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António Domingues Pinto

 

Mais uma preciosidade para a história de Telhadela e do concelho de Albergaria-a-Velha, António Domingues Pinto, em Santos, Brasil, uns meses antes do seu falecimento, (1952 ou 1953), com a sua esposa Maria de Jesus e o neto Arthur Domingues Pinto Júnior, filho do cirugião com o mesmo nome.
Foto: cortesia de Arthur Domingues Pinto Jr.

 

 

Arthur Domingues Pinto

 

Arthur Domingues Pinto

 

Este ilustre cirurgião, nascido em Telhadela, em 1909, foi descendente de António Domingues Pinto e sua esposa Maria de Jesus, ambos naturais de Telhadela, Albergaria-a-Velha.

O pai de Arthur, António Domingues Pinto, cedo emigrou para a cidade de Santos, (Brasil), vindo a tornar-se num dos mais importantes industriais da referida cidade, estamos a falar dos primórdios do século XX.

Na sua constante ida e volta entre Albergaria e Santos, chegou a ocupar a vice-presidência da Câmara de Albergaria-a-Velha, na Monarquia e a presidência da Junta de freguesia da Ribeira de Fráguas, já na República.

Teve larga descendência, nove filhos, alguns nasceram em Portugal, outros no Brasil. Arthur, viria tornar-se num dos mais conceituados cardiologistas do Brasil, isto em meados do século XX, e pioneiro na América do Sul em algumas técnicas cirúrgicas cardiovasculares.

Foi membro efectivo do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, tendo ocupado a cadeira número 178.

De realçar que o maior hospital da cidade de Santos, SP, ostenta o seu nome.

 

Em novembro de 1948, Arthur Domingues Pinto, em Santos, realizou a primeira cirurgia de Blalock-Taussig no Brasil. Em 24 de junho de 1950, operou o primeiro caso de coarctação da aorta.” 1

 

 

Só para que fique registrado, papai nasceu mesmo por aí, (Telhadela),em 1909, foi registrado em Vila Nova de Gaia e foi pequenino para o Brasil. Foi declarado cidadão brasileiro em 22 de fevereiro de 1938, por meio de Título Declaratório expedido pelo Ministério da Justiça e Negócios Interiores, em nome do Presidente da República, em conformidade do decreto nº 6948, de 14 de maio de 1908, combinado com o artº 115, letra C, da Constituição da República do Brasil.

Após a sua morte, em 21 de Fevereiro de 1986, a Beneficência Portuguesa (Sociedade Portuguesa de Beneficência), hospital onde ele iniciou sua carreira em 1932 como Médico Interno e que já em 1936 era Cirurgião Chefe do Serviço de Cirurgia Geral de Mulheres e Ginecologia, prestou uma homenagem em seu Jornal Informativo que circulou em Julho/Agosto daquele ano, e que reproduzo abaixo: 2

 

 

Fontes:

 

Internet - 1 Pequena história da cirurgia cardíaca e tudo aconteceu diante de nossos olhos - RBCCV - Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular.

              - 2 Arthur Domingues Pinto Jr. (Filho), Telhadela, Junho de 2011, com alguns e-mails de suporte.

http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0260d23.htm

Bibliografia - Albergaria-a-Velha 1910- da Monarquia à República, FERREIRA, Delfim Bismarck, VIGÁRIO, Rafael

Telhadela - Perspectiva Histórica e Etnográfica, JESUS, Nuno, CAMPOS, Emília, MARQUES, Vera